quinta-feira, 23 de junho de 2016

assentamento no espaço


"Não quero regra nem nada

Tudo tá como o diabo gosta, tá,
Já tenho este peso, que me fere as costas,
e não vou, eu mesmo, atar minha mão"


- Belchior


tarde sem chuva, secura na boca, vontade de sumir. das minhas casas erguidas sobraram apenas rachaduras.
não reclamo da vida: quando há uma única chance, qualquer resultado será o correto. 

sábado, 26 de março de 2016

mapa do eletrochoque



o abandono das estações

voltei, anos se passaram. nada mudou. as estações seguem nascendo e morrendo, mas o tempo se desdobra nos meus olhos. sou infância e estou cada vez mais louco.

perdi tudo, não sobrou nenhuma sanidade, todos se afastaram. estou livre, feito pluma atirada ao abismo. vago em qualquer direção e já não sinto nada. há dias que o suicídio parece uma opção corajosa, a única forma de controle sobre o meu próprio destino. não sei para onde posso ir, nem distinguir se há diferença entre os pássaros que voam para fora e para dentro do meu olho. corre, pelos fios das horas, uma navalhas cega que me corta a memória dolorosamente, extirpando tudo o que um dia foi alma. morrerei sem dúvida, sem mais- nem menos. não serei um retrato esquecido na cristaleira, não falarão dos acertos que tive ou das aventuras errantes que desenhei com meu passo torto. estarei cagado nessa hora, de todas as merdas, sujo de sangue, como vim ao mundo e como ninguém quer voltar à terra.

não há pena no abandono, só um sentir sujo que nos repugna.





quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Visitas.


Quase falho em escrever hoje. É que foi dia de visita e alguns de meus amigos vieram me ver. Veio minha família também. Foi um dia bom. Sempre tenho um medo avassalador que não venha ninguém. Dizem por aí que aqueles que se afundam na solidão são os que mais acompanhados estão. Nunca pensei. Sinto-me sozinho mas ao mesmo tempo sei que tem gente que se importa comigo. Estranho né?


Gregor

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Nada.

Não tenho nada de útil pra dizer. Hoje me sinto muito deprimido e parece que estou no lugar certo. Sinto que morrer não tem dignidade e todos os portos são iguais. Sinto uma avalanche e apenas espero a próxima dose pra dormir. Amanhã será um novo dia e quem sabe que.


Gregor

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Começo.


Sim. Fato. Ponto. Sei que vocês devem estar esperando palavras desequilibradas. Eu acho que toda palavra é louca por si mesma. Não sei. Esse espaço servirá como relato de meus dias aqui. Não quero entrar em meus detalhes pessoais porque poderia criar uma certa polêmica. Também não vou revelar qual é o exato lugar que estou. Não importa, afinal de contas poderia ser qualquer casa de tratamento e ainda sim seria meu querido manicômio.  Imagino que será bom escrever aqui pra passar o tempo. Os dias as vezes podem ser intermináveis e quase todos já encontraram alguma defesa secreta pra sobreviver. Essa, espero, será a minha. 

Posteriormente, contarei minha história e como cheguei até aqui. Tenho tempo. 

Agora preciso ir. Tenho grupo às 17:00 pm. Não quero ir, mas tenho que ir. Uma grande farsa, gente decidindo quem está louco e quem não está. Estamos. Simples assim. Na Grécia antiga, o louco era visto como um portador de um saber divino, intermediador entre os mortais e os imortais. Hoje é um pouco diferente.

Até logo,
Gregor